A expressão “jogo de tarot” costuma carregar a ideia de que as cartas funcionam como um oráculo capaz de revelar o futuro. Esse imaginário, reforçado por séculos de estigmas e representações na cultura popular, ainda faz parte do fascínio em torno do tarot. No entanto, reduzir essa prática apenas a previsões é perder de vista sua verdadeira riqueza. O jogo de tarot é, acima de tudo, um espaço de escuta e de revelação de possibilidades — um convite para compreender o presente e reconhecer como ele se desdobra em direções futuras.
O que te espera não é uma sentença imutável escrita em cartas, mas um conjunto de caminhos que podem se abrir a partir das escolhas que você faz. Nesse sentido, o tarot não prevê destinos fixos: ele ilumina cenários, mostra tendências e aponta para padrões que já estão em movimento na sua vida. Cada arcano traz símbolos que dialogam com a psique, despertando reflexões que ajudam a perceber aquilo que, muitas vezes, já estava latente.
O jogo, então, se torna uma conversa simbólica entre a energia do consulente e o baralho, mediada pelo olhar do tarólogo. É nesse diálogo que se encontra a força do tarot: não no determinismo, mas na capacidade de trazer clareza para decisões, confiança para escolhas e coragem para transformar o que precisa ser mudado.
O jogo como espelho dos caminhos
Ao embaralhar e escolher as cartas, você ativa um processo simbólico que conecta intenção, intuição e consciência. Não é por acaso que tantos estudiosos, de Jung a Osho, enxergaram no tarot um reflexo profundo da jornada humana. O jogo mostra, em imagens, aquilo que palavras muitas vezes não conseguem expressar: medos escondidos, forças adormecidas, oportunidades ainda não percebidas.
Essa dimensão simbólica transforma o tarot em espelho. Ele não inventa situações, mas revela o que já está presente na sua energia e que tende a se manifestar. Por isso, ao perguntar “o que me espera?”, você não está pedindo uma sentença, mas pedindo que o tarot ilumine quais forças estão atuando agora e como podem se refletir nos próximos passos.
Um jogo pode indicar, por exemplo, que mudanças estão a caminho, mas que exigem desapego. Pode mostrar que um novo ciclo se aproxima, mas que depende de coragem para se manifestar. Pode também apontar para a importância de cultivar paciência e confiança, lembrando que nem tudo se resolve no tempo do ego, mas no tempo da vida.
Essa clareza não substitui o livre-arbítrio, pelo contrário: reforça a responsabilidade sobre as escolhas. Ao revelar as energias em jogo, o tarot oferece ferramentas para que você aja com consciência, em vez de ser levado por impulsos ou inseguranças.
O jogo, portanto, é menos sobre adivinhar e mais sobre despertar. Ele amplia a percepção e fortalece a intuição, ajudando a caminhar com mais confiança diante do desconhecido.
Descobrir é escolher com consciência
Descobrir o que te espera através do tarot é, no fundo, descobrir a si mesmo. O futuro não está escrito em pedra, mas moldado pelas escolhas que fazemos no presente. Cada carta sorteada no jogo abre um campo de reflexão: o que essa imagem desperta em mim? O que preciso enxergar agora? Qual passo estou pronto para dar?
Essa jornada de descoberta pode ser transformadora porque devolve o poder ao consulente. O tarot não decide por você — ele mostra que as respostas já estavam em seu interior, prontas para serem acessadas. Ao compreender isso, a ansiedade pelo futuro se transforma em responsabilidade pelo agora.
🌿 É essa mesma lógica que guia minha terapia interativa: unir tarot, escuta e práticas de reconexão para que você não apenas veja possibilidades, mas também encontre força para agir de acordo com sua verdade.
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