Chegar à versão final de um artigo científico é um momento de mistura bonita entre razão e coração: de um lado, dados, método e referências; do outro, a vontade de ver sua pesquisa ganhar o mundo. É exatamente aqui que as normas da ABNT entram como ponte entre o que você descobriu e como isso será percebido por quem lê. Quando a forma acompanha a força do conteúdo, a banca, os pareceristas e a comunidade acadêmica entendem sua mensagem sem ruídos — e isso faz toda a diferença.
Muita gente enxerga a ABNT como um labirinto de detalhes, mas a lógica é simples: padronizar para facilitar. Padrão de margens, títulos, citações, referências, legendas e numeração cria um caminho previsível para o leitor encontrar o que procura. E, quando o leitor é um avaliador treinado, esse caminho claro costuma significar mais credibilidade, menos questionamentos sobre forma e foco total no mérito da pesquisa.
Outro ponto essencial é lembrar que artigos têm especificidades: são mais concisos que TCCs e monografias, e dialogam diretamente com o edital da revista ou do congresso (instruções aos autores). Por isso, o “passo a passo” seguro combina ABNT + diretrizes do periódico. Seguir ambos é o que coloca seu texto na pista certa: elegante, objetivo e tecnicamente irretocável. Respire, organize as etapas e vamos alinhar tudo — do título às referências — de modo que a sua ciência brilhe sem tropeços.
Passo a passo prático para um artigo no padrão
Antes de abrir o documento, alinhe o plano: qual a pergunta central? Quais resultados sustentam essa resposta? Que leituras ancoram sua discussão? Esse mapa editorial orienta decisões de estrutura e evita parágrafos que não servem ao objetivo. Em seguida, aplique a base técnica (margens, fonte, espaçamento, estilos de título). Quando a forma nasce certa, o texto flui — e você economiza horas na reta final.
No corpo do artigo, lembre do movimento natural esperado por pareceristas: problema → método → resultados → discussão → implicações. Em cada seção, cuide das transições: conectores bem escolhidos conduzem o leitor com leveza (“por outro lado”, “além disso”, “em síntese”). Citações precisam dialogar com seu argumento — nada de bloco de autores sem sua voz interpretativa. E, ao fechar, ofereça síntese clara do que foi achado, limites do estudo e pistas de pesquisa futura.
Checklist de formatação e conteúdo (sem falhas)
- Documento configurado desde o início
Margens de 3 cm (esquerda/superior) e 2 cm (direita/inferior); corpo do texto em 1,5; fonte Times New Roman ou Arial 12 (use 10 em citação longa, notas e legendas). - Título, autores e afiliações
Título objetivo, sem abreviações desnecessárias. Nome completo dos autores, afiliações institucionais e e-mails conforme a regra da revista. Inclua ORCID quando solicitado. - Resumo e palavras-chave
Resumo informativo (problema, método, resultado-chave, contribuição). Palavras-chave específicas (3–5), evitando repetir termos do título. - Seções numeradas e hierarquia
Aplique estilos de título para gerar sumário automático (quando exigido) e manter consistência visual. Numerar seções ajuda na navegação do parecerista. - Introdução focada
Contextualize, apresente lacuna teórica, objetivo e contribuição. Evite revisão extensa que engole a seção. - Método transparente
Descreva desenho, participantes/amostra, instrumentos, procedimentos e análise (estatística ou qualitativa) com precisão suficiente para replicação. - Resultados com clareza visual
Tabelas e figuras numeradas na ordem de citação, com títulos autoexplicativos e fonte (mesmo que “Elaboração própria”). No texto, interprete achados sem repetir integralmente números de tabelas. - Discussão que conversa com a literatura
Compare achados com estudos prévios, proponha explicações, reconheça limites e indique caminhos futuros. Evite conclusões que extrapolem seus dados. - Citações no corpo do texto
Diretas curtas (até 3 linhas) entre aspas, com autor, ano e página. Diretas longas (mais de 3 linhas) em bloco com recuo de 4 cm, fonte 10, sem aspas. Indiretas com autor e ano. - Referências padronizadas e completas
Ordem alfabética pelo sobrenome em maiúsculas; inclua todos os dados (título, periódico/livro, volume, número, páginas, editora, local, ano; DOI/URL quando houver). Coerência é lei: tudo que é citado aparece na lista, e vice-versa. - Coesão e estilo acadêmico
Prefira frases claras e objetivas. Evite jargões desnecessários e períodos muito longos. Padronize termos técnicos ao longo do texto. - Notas de rodapé (se usadas)
Sejam raras, objetivas e realmente explicativas; não substituem referências. - Conformidade com o periódico
Verifique limites de palavras, número de tabelas/figuras, idioma, normas de citação e formatação específicas. Ajuste o arquivo (DOCX/LaTeX) e nomeie conforme solicitado. - Ética e transparência
Informe aprovações de comitê de ética, registro de estudo, financiamento e conflitos de interesse quando aplicável. - Revisão final em outro suporte
Gere PDF para checar quebras de página, hifens indesejados, viúvas/órfãs e alinhamento de elementos gráficos. - Arquivos complementares
Prepare materiais suplementares (datasets, apêndices, checklists) conforme as instruções aos autores. - Versões e backup
Salve com controle de versão (ex.: Artigo_Tema_V1_V2…) e mantenha cópias em nuvem.
Pronto para envio
Quando a forma serve ao conteúdo, seu artigo respira melhor — e quem lê também. Seguir este passo a passo coloca cada peça no lugar certo, reduz retrabalho e deixa sua ciência falar alto, com elegância e precisão.
Se quiser um olhar profissional para revisar linguagem, padronizar ABNT e alinhar tudo às regras do periódico, eu posso te acompanhar nesse ajuste fino até a submissão. Envie seu arquivo e vamos deixar seu artigo pronto para ser lido, avaliado e citado — com cada detalhe certo.
Deixe um comentário